Uma saída sem aplausos
Uma saída sem aplausos, a cada dia. Uma saída sem aplausos, para um ofício que não visa a si, mas o outro.
The Great Debaters é um filme que me influenciou profundamente sobre a docência. Ele retrata a trajetória de um grupo de debatedores da Wiley College, ambientado em um contexto que entrelaça educação e racismo. Pensando na figura do professor, há uma cena que me marcou especialmente.
Ao final, após uma memorável conquista dos debatedores, eles são massivamente aplaudidos pela plateia que os assistiu. Enquanto isso, seu professor, Melvin B. Tolson, sai silenciosamente do prédio, sem que qualquer aplauso o alcance.
Para completar a cena, Tolson deixa o prédio passando por um corredor onde estão inscritos os nomes dos professores imprescindíveis de Harvard, local onde o debate foi realizado. Em sua saída silenciosa, ele se junta ao mesmo silêncio que abraça aqueles que o precederam, distantes dos aplausos e holofotes.
Em uma época marcada por carências, mercantilização e uma incessante busca por autopromoção, a saída de Tolson me fez refletir sobre uma postura mais madura e essencial da docência. Essa cena trouxe à tona a ideia de que não educamos para alimentar nossas carências, para abastecer o despudorado mercado da educação ou para transformar nossos nomes em objetos de autopromoção narcisista.
Por ser uma atitude sacrificial, o que move um professor é o seu dever diante da jornada que escolheu, em resposta à vocação que o impele. Pesa em seus ombros a responsabilidade de ser intérprete das vozes que o antecederam, traduzindo reflexões sobre cenários que muitas vezes nem essas vozes imaginaram.
Carrega também a responsabilidade de formar aqueles que o sucederão: os que se aventuram em uma jornada ainda desconhecida e romantizada. Por isso, o professor é aquele que, em poucos meses, oferece reflexões e considerações que ele próprio levou anos para elaborar. Uma vida inteira de pensamentos, exaustivamente aprimorados, é oferecida sacrificialmente em instantes.
E, ao final, o que é esperado? Uma saída sem aplausos, todos os dias. Uma saída sem aplausos, para um ofício que não se volta para si, mas para o outro. Uma saída sem aplausos, para aqueles que abraçaram a disciplina e a solitude. Uma saída sem aplausos, sustentada pela esperança de que outros desejem trilhar o mesmo caminho.

