CPF cancelado- a celebração ante a morte das “almas sebosas"
Fica claro, pelo título, que decidi empregar termos linguísticos amplamente utilizados em nossos dias — ainda que eu tenha repulsa por seu uso.
A expressão “CPF cancelado”, frequentemente usada para celebrar a morte de “almas sebosas”, é apenas a atualização da lógica que afirma: “bandido bom é bandido morto”.
Mais uma vez, uma frase de origem teológica parece ganhar vida no cenário social: “O amor esfriará.” E, ironicamente, isso ocorre — em grande parte — entre aqueles que afirmam viver em Cristo.
Uma noção distorcida de moralidade frequentemente dá origem a grandes atrocidades. Aqui, não se trata apenas de cessar uma opressão, mas de celebrar a morte de um ser humano.
Permita-me ser direto. Se alguém invadisse minha casa, colocando minha família em risco, eu não hesitaria em empregar a violência necessária para protegê-los — legítima defesa. Contudo, se essa violência resultasse na morte do agressor, certamente não seria motivo para celebração.
A morte de outro indivíduo não deve ser celebrada. “A voz do sangue” da primeira vida humana tirada sobre a terra clamou do solo ao Seu Criador. Foi necessário que o Criador sensibilizasse o homicida para a aberrante cena diante dele. Uma das primeiras manifestações de impiedade humana está na insensibilidade à morte. Portanto, desconfie de qualquer um que se regozije diante do sangue humano derramado.
Devemos lembrar que sempre corremos o risco de eleger nossas próprias “almas sebosas”, desumanizando-as. Os critérios para isso variam amplamente. No nazismo, era o fato de alguém ser judeu. Em Ruanda, foi a infeliz nomenclatura imposta pelos colonizadores — baseada em questões meramente estéticas. Na esquerda, pode ser o clamor por “fogo nos fascistas”. Na direita, a vontade de “metralhar a petralhada”.
Certamente este texto pede continuidade, mas algo pode ser pontuado aqui: é preciso extremo cuidado ao rebaixar as relações sociais ao nível das pulsões humanas — elas não são confiáveis. A barbárie está sempre à espreita. Os extremos nos traem. A virtude reside na prudência e no equilíbrio, não na insensibilidade e na irrazoabilidade.

