Como ler livros?
arte e atividade da leitura
Este texto inaugura uma série dedicada ao estudo da leitura, baseada na obra "Como Ler Livros", de Mortimer Adler e Charles Van Doren. Ao longo dos próximos resumos, serão apresentadas as principais ideias e técnicas propostas pelos autores, com o objetivo de transformar a leitura em uma atividade mais eficaz, consciente e crítica. Destinada a leitores que buscam aprimorar suas habilidades, especialmente aqueles em formação acadêmica, essa série será estruturada para oferecer tanto uma visão pedagógica quanto uma aplicação prática dos conceitos desenvolvidos.
Adler e Van Doren propõem que ler não é apenas decodificar palavras, mas uma arte que exige esforço e prática constante. A partir dessa premissa, os textos abordarão temas fundamentais, como os diferentes níveis de leitura, técnicas específicas para interpretar obras complexas e estratégias que promovam o verdadeiro crescimento intelectual. Assim, cada leitura poderá se tornar uma experiência de aprendizado ativa e transformadora.
1. Propósito do capítulo
Mortimer Adler e Charles Van Doren começam o livro destacando que ler é uma arte ativa, não uma simples recepção de informações. O objetivo deles é ajudar o leitor a desenvolver uma habilidade essencial: a de ler para entender, e não apenas para se informar. Eles propõem que, ao longo da obra, serão ensinadas técnicas que permitirão ao leitor interpretar textos complexos e extrair deles o máximo de aprendizado.
Adler e Van Doren argumentam que ler bem não é algo natural. Ao contrário, é uma competência que precisa ser desenvolvida ao longo do tempo, por meio de prática constante e técnicas específicas.
2. O que é leitura ativa?
A leitura ativa é o pilar central deste capítulo. Os autores explicam que, embora toda leitura exija um certo grau de atividade, a leitura ativa vai além:
Exige esforço mental consciente, onde o leitor participa ativamente do processo, questionando o texto e buscando compreendê-lo de maneira profunda.
Transforma a leitura em um diálogo, no qual o leitor tenta entender o que o autor deseja comunicar e confronta as ideias apresentadas.
Eleva o nível de compreensão do leitor, permitindo que ele vá além da simples coleta de informações e alcance novos entendimentos.
Adler e Van Doren utilizam a metáfora do jogo de beisebol para ilustrar essa ideia: assim como o apanhador precisa estar atento para capturar a bola, o leitor precisa estar concentrado para “capturar” as ideias do autor. Ambos os papéis exigem atenção, habilidade e prática.
3. Dois objetivos distintos da leitura
Os autores fazem uma distinção clara entre dois tipos de leitura:
Ler para se informar: ocorre quando o leitor busca novos dados sobre algo que já entende. Exemplo: ler um jornal ou uma revista. Esse tipo de leitura amplia o estoque de informações do leitor, mas não necessariamente altera seu nível de compreensão.
Ler para entender: acontece quando o leitor entra em contato com ideias ou conceitos que inicialmente não compreende. Esse tipo de leitura é mais desafiador, pois exige esforço intelectual e provoca uma transformação no modo de pensar.
“A leitura informativa amplia o conhecimento, mas só a leitura para entendimento transforma o leitor.”
Adler e Van Doren enfatizam que o foco do livro está na leitura para entendimento, pois ela é a única capaz de promover verdadeiro crescimento intelectual.
4. Leitura como aprendizado: ensino e descoberta
Os autores explicam que toda leitura bem-sucedida envolve aprendizado, e este pode ocorrer de duas maneiras:
Ensino formal: quando há um professor que guia o processo, explicando o conteúdo e oferecendo suporte ao aluno.
Descoberta independente: quando o aprendizado ocorre sem a presença de um professor, e o aluno precisa buscar sozinho o entendimento.
A leitura ativa se encaixa na segunda modalidade. O leitor assume o papel de aprendiz autônomo, enfrentando os desafios impostos pelo texto e desenvolvendo sua capacidade de reflexão. Nesse sentido, Adler e Van Doren fazem uma distinção interessante entre:
Professor presente: aquele que orienta diretamente, como nas salas de aula.
Professor ausente: o autor do livro, que transmite seu conhecimento por meio das palavras escritas.
Na leitura, lidamos sempre com o “professor ausente”, o que significa que o leitor precisa ser ativo, pois não há ninguém para explicar ou responder suas dúvidas. Ele deve aprender a extrair significado por conta própria, usando sua capacidade crítica e interpretativa.
5. Condições para uma boa leitura
Para que o leitor alcance o verdadeiro entendimento, é necessário cumprir algumas condições básicas:
Reconhecer que não entende tudo de imediato: admitir que há algo novo a aprender é o primeiro passo para evoluir intelectualmente.
Persistir no esforço: entender um texto desafiador requer paciência e dedicação.
Assumir a responsabilidade pelo próprio aprendizado: o leitor deve ser independente, encarando a leitura como um processo ativo, em que ele precisa operar sobre o texto para extrair significado.
Adler e Van Doren enfatizam que, ao contrário da leitura passiva, que consiste apenas em absorver informações, a leitura ativa é um processo de transformação intelectual, no qual o leitor se eleva a um novo nível de entendimento.
6. A leitura no mundo moderno
Os autores fazem uma reflexão crítica sobre o papel da leitura em uma era dominada por mídias audiovisuais. Eles reconhecem que o rádio, a televisão e, mais recentemente, a internet, têm grande impacto na forma como as pessoas obtêm informações. Contudo, argumentam que essas mídias, por mais eficientes que sejam, não promovem o mesmo tipo de aprendizado que a leitura oferece.
Enquanto as mídias modernas entregam informações de forma empacotada e pronta para consumo, a leitura exige esforço mental e reflexão crítica. Esse tipo de aprendizado é essencial para quem deseja desenvolver um pensamento independente.
7. A leitura como arte
Adler e Van Doren afirmam que a leitura deve ser vista como uma arte, pois envolve técnicas específicas que podem ser aprendidas e aperfeiçoadas. Assim como qualquer outra habilidade, como tocar um instrumento ou praticar um esporte, ler bem requer prática, disciplina e dedicação.
Eles concluem que o verdadeiro leitor é aquele que encara a leitura como um desafio e se esforça constantemente para aprimorar sua capacidade de entender textos cada vez mais complexos. Essa postura ativa e comprometida é o que diferencia um leitor comum de um leitor habilidoso.
Conclusão
Neste primeiro capítulo, Adler e Van Doren nos apresentaram a leitura como uma arte que exige empenho consciente e prática constante. Eles diferenciam a leitura para se informar da leitura para entender, destacando que o verdadeiro aprendizado ocorre quando o leitor adota uma postura ativa, capaz de elevar seu nível de compreensão. Além disso, explicam que o leitor deve agir como um aprendiz autônomo, assumindo a responsabilidade pelo próprio crescimento intelectual ao lidar com o “professor ausente” – o autor do livro. Por fim, reforçam que a leitura ativa é a chave para alcançar essa transformação, exigindo esforço contínuo e disciplina.
No próximo texto, exploraremos os quatro níveis de leitura propostos pelos autores, desde a leitura elementar, focada na decodificação básica, até a leitura sintópica, que permite ao leitor relacionar diversas obras e construir um entendimento superior sobre um tema. Será o momento de compreender como cada nível contribui para formar um leitor realmente competente.

