Bolha
E se houver algo mais que nos guia e faz viver? Algo mais simples, mas que apresentam uma fundamentalidade maior aos nossos dias.
O retorno às aulas tem me levado a refletir sobre o que fazemos nas academias. A distância entre a Universidade e a vida cotidiana sempre foi algo que ocupou meus pensamentos.
Não apenas porque nossas ideias frequentemente parecem pertencer a uma ordem distinta do cotidiano — muitas vezes com linguagens que se opõem à realidade vivida —, mas principalmente porque vivemos aspirações conflitantes.
Recentemente, fiquei noivo. Desde então, tenho voltado a refletir sobre onde está o meu coração — sobre o que realmente importa. Essa reflexão ganhou força com o início do semestre.
Passei o último semestre afastado de minhas funções acadêmicas devido ao processo de reabilitação após o atropelamento. Voltar à sala de aula, de certa forma, é retornar “vindo de fora”, trazendo um novo olhar.
Por ser professor das disciplinas propedêuticas, sempre tenho contato com os alunos do primeiro ano. Ao olhar para cada um deles, pergunto-me o que vieram buscar neste espaço, o que lhes ensinaremos a perseguir e a ser.
Usualmente, o contato com os calouros é uma oportunidade para impressioná-los. Geralmente, o ritual começa com a apresentação dos currículos dos professores — um par de indivíduos que, em sua grande maioria, foi levado a acreditar que a satisfação de suas vidas estaria na vida acadêmica ou que encontrariam ali sua identidade.
Os currículos são citados como odes aos que ali estão, muitas vezes contribuindo mais para o engrandecimento vazio daqueles que já flutuam nas nuvens enquanto seus feitos acadêmicos são celebrados.
No meio dessas apresentações, fui levado a refletir sobre o que realmente desejo que meus alunos levem de mim. Não se deixe enganar: estas palavras não têm a intenção de descrever a vida acadêmica como um grande devaneio — mesmo que, para alguns, ela possa ser uma realidade paralela. Contudo, elas apontam para um “e se”.
E se a vida acadêmica não for a fonte de satisfação que alguns imaginam?
E se houver algo mais que nos guia e dá sentido à existência? Algo mais simples, mas profundamente fundamental para os nossos dias. E se esse algo, tão essencial, estiver intrinsecamente relacionado à vida acadêmica e à vida em si — mesmo que seja frequentemente menosprezado?

